Primeiro dia de aula na faculdade. O medo e a ansiedade tomam conta de mim. Sou daquele tipo de pessoa que faz de uma joaninha, um monstro. Intensa, loucamente pensante, pés a dez metros do chão.
Com que roupa eu vou? Será que vai ter trote? Vão olhar para a minha cara e descobrir que eu sou bixo? Será que escolhi a profissão certa?
Já não bastasse meu nervosismo, minha mãe me chama e dá mil e uma recomendações. Típico dela, e de todas as mães, creio. Entro no carro. O nervosismo virou mau humor. Fecho a cara. A hora ta chegando. Coração apertado. Vida nova? Me arrependo de ter saído de sacola de pano. Penso que possivelmente vão achar que sou idiota, mas logo após esse pensamento muito bizarro eu lembro: “Porra, Gabriela, tu não tem que te preocupar com o que os outros pensam de ti. Lembra? Metas 2008. Cadê?”, mas óbvio que quando se tem dezessete anos e está a caminho do teu primeiro dia na universidade, tu acaba te preocupando até com a tua sombra. Bom, de qualquer forma, não da mais para mudar, então vamos lá.
Minha mãe me larga na Avenida Teresópolis. Vou pegar o ônibus T4 para a PUC. Isso soa tão responsável e diferente... Minhas irmãs pegavam o T4 para ir para a PUC, agora chegou minha vez. Uau! Nunca havia sentido nada tão louco ao pegar um ônibus. Fico procurando meu cartão Tri. Pois é, extinguiram a conhecida carteirinha escolar com fichinhas bonitinhas e lançaram esse cartão que tu recarrega e passa num leitor. Parece tão simples. Mas já no primeiro dia tive problemas com o dito cujo. Tentei passar o cartão umas três vezes, então o cobrador foi ver o que tinha de errado com o meu Tri e depois da analisar rapidamente, com um sorrisinho irônico nos lábios, ele me informa: “Garota, isso é o cartão do pré-vestibular.”, tudo bem, fico vermelha por uns segundos, sento, procuro o cartão certo e passo na roleta. Primeiro mico da universidade. E eu ainda discordo da minha mãe quando ela diz que eu não presto atenção em nada!
Agora o foco da preocupação mudou: tenho que cuidar aonde devo descer. Sou dona de pegar o ônibus errado e parar do outro lado da cidade, passar da parada certa, ou qualquer coisa do gênero. Quando entramos na Avenida Ipiranga, fico mais ligada que nunca. Mas já no primeiro dia aprendo uma importante lição: quando cinqüenta por cento dos passageiros do ônibus descerem, desce também, ali é a PUC. E foi isso que eu fiz. É incrível como um ônibus pode estar lotado ao ponto de tu não conseguir te mexer e quando chega na PUC, parece que acontece evacuação geral. Muito louco todo mundo descendo ao mesmo tempo. Tipo migração.
Chego no meu prédio, um monte de rostos novos e aquela sensação de que um mundo diferente está abrindo as portas pra mim. Isso pode parecer a coisa mais clichê que escrevi em toda a minha vida, mas foi exatamente o que eu senti. Além de rostos novos, encontrei um monte de gente conhecida. Cada vez fico mais convencida de que Porto Alegre é uma província e que a PUC é um ovo... de codorna.
A apresentação do curso foi com a Cristiane Finger – apresentadora de telejornal do SBT - e ela parece ser muito boa, além de ter dito que jornalismo é a melhor profissão do mundo. O nosso bate-papo com ela aconteceu num estúdio e foi muito divertido. Ela perguntava algo e todo mundo calava, então ela dizia: “Jornalista tem que ser cara de pau..” e todo mundo ria.
Hoje é sexta-feira, já tive muitas aulas, aquele nervosismo misturado com medo e outros sentimentos que não sei identificar bem passaram e, com certeza, cada vez tenho mais certeza de que escolhi a profissão certa! Ainda bem...


