sábado, 7 de julho de 2007

Entre carências & modas


Escrever é algo que eu considero muito arriscado. Esta ali, para sempre, gravado em palavras, aquilo que um dia você pensou ou fez. Podemos muito bem ser classificados pelo que escrevemos, mas como somos muitos num só, a cada dia que passa, pensamos, sentimos e escrevemos algo diferente.

Já pensei muito quanto a isso; porém, quando olho um texto que escrevi há uns quinze dias atrás, e vejo que hoje já não posso mais escrever o mesmo, percebo que estamos constantemente mudando, a cada ato, a cada momento, a cada respiração. Sei que costumo escrever muito sobre as mudanças, mas elas são algo que me chamam muito a atenção. Odeio ser repetitiva, mas vamos lá.

O texto ao qual me refiro é o do Cazuza, o mesmo que está postado aqui nesse blog. Sábado fui a uma boate gay com alguns amigos e achei que não teria grandes problemas. Realmente, por questão de pré-conceitos, não tive. Mas foi difícil lidar com aquela situação a qual eu nunca havia presenciado antes. Não acho que aquelas pessoas fossem seres promíscuos e sem valores – havia as exceções, claro, como em qualquer lugar -, mas é difícil entender como se faz tipo de escolha de vida.

Acho que algumas pessoas já têm uma pré-disposição, outras simplesmente escolhem assim, mas as que mais me irritam são aquelas que se tornam gays, drogados, rebeldes, ou qualquer outro tipo de ‘exceção’, só por causa de modinhas; porém, entendo aqueles que o fazem para tentar de alguma forma quebrar as barreiras sociais que nos aprisionam, à medida que o tempo passa. Esse foi Cazuza, não somente quanto ao ponto da sexualidade, mas abrangindo todos os aspectos de sua vida. É óbvio que esse tipo de atitude tem fortes conseqüências, assim como qualquer coisa dita ‘fora do padrão’ que resolvamos fazer.

A cada dia estou mais certa de que vivemos num mundo carente. Mundo carente de amor, carente de amizades verdadeiras, de solidariedade, de sinceridade. Talvez seja quebrando esse tipo de barreira, fugindo das leis, que essas pessoas encontrem um pouco disso tudo! Consigam amenizar suas carências. E não falo só de homossexualidade, eu falo de todas as formas de rebelião; porém, por essas e outras coisas, eu percebi que eu estou tão envolvida pelas idéias e conceitos milenares da sociedade, que ainda vai demorar um tempo pra eu me considerar um ser evoluído e fora das barreiras sociais, ou talvez, infelizmente, isso nunca aconteça.


P.S; PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG O ECO EM ABRIL/07.

3 comentários:

Flávia Brito disse...

Oi, Gabi!

Obrigada pela visita e pelas felicitações... sempre que quiser aparecer, será muito bem-vinda.

Vim retribuir a visita e, confesso, fiquei apaixonada pelo seu blog. Simples, original e cheio de frescor e juventude, como você.

Direcionei um link, para que não nos percamos. Espero que nos encontremos mais vezes - lá ou cá...

Beijos!

G disse...

Já vim aqui..... venho de novo... acho que precisamos de contato... não?

diego_sfk disse...

ai ai...
me encanto cada vez mais com a profundidade de teus textos...
textos para refletir
bjus, minha escritora predileta =***