quinta-feira, 26 de julho de 2007

Cacos de vidro

Ela saiu correndo e as lágrimas rolavam cheias de ódio pelo seu rosto. Aquilo havia sido como o tapa mais forte que poderia receber, doía-lhe todo o corpo por dentro, ela queria gritar. Sentia uma raiva de si mesma que a fazia tremer. Mordia tão forte os lábios até que gotas de sangue começaram a escorrer pelo canto de sua boca.

Como podia ser alguém tão patético e desprezível? Ela se sentia como um peso na vida de todos. O que adiantava sua vida ser um luxo se sua cabeça era um lixo? Foi essa a pergunta que sua melhor amiga fez naquele dia. Até ela, Márcia, que prometeu nunca a abandonar, estava ali, desistindo, jogando as cartas na mesa, dando tchau. Ela iria se mudar, iria morar em Madrid e aquela notícia era como cacos de vidro que rasgavam a sua alma.

Márcia estava a deixando para viver. Estava trocando a amiga por um garoto que conhecera há dois meses e por uma terra em que nunca estivera antes. Será que ele era bom de cama? Só podia, ou talvez ela realmente fosse um peso duro demais para ser carregado pela amiga. E quem disse que ela queria ser carregada? Não, não queria. Ela só estava com medo de que a sua única amiga se afastasse, esquecesse dela, e depois desse ciao nunca mais voltasse.

Aquela raiva inflava as suas narinas. Todo mundo estava indo, todo mundo era feliz e ela continuava ali, parada feito uma idiota, criando problemas inexistentes. E o sangue continuava a escorrer enquanto ela corria o mais rápido que podia para chegar a lugar algum. Ela não prestava, sentia nojo de si mesma.

Ela parou de correr, se sentou em cima da mochila de lona e pensou que logo ficaria leve e voaria feito uma pluma, pois aquele mesmo caco de vidro que rasgava a sua alma, agora estava cravado no seu pulso, que já não pulsava mais.

8 comentários:

SnuLL disse...

Socorro!
Adorei.

Diego Augusto disse...

adorei, Gabi...
não sabe quantas imagens passaram pela minha cabeça quando li este texto!
mt envolvente ^^
bjus =***

Flávia disse...

Tantos cacos de vidro esperam por nós vida afora... mas, apesar das cicatrizes, os cortes se fecham. ainda bem!

Beijos!

Milla Loureiro disse...

"como cacos de vidro que rasgavam a sua alma."


Já senti coisas afetando a minha alma, de todos os tipos...

Belo texto!

Carol disse...

Belo texto!
bem intenso...
gostei do blog tbm!
bjus

Nanda Nascimento disse...

Nossa,gostei tanto que coloquei seu link no Dália tá.
Boa Noite!!

Chris disse...

:D
Blog gostose de ler...
Parabéns menina...
Voltarei sempre...
Obrigada por comentar lá no meu pequeno!!!
Bjuss

Milla Loureiro disse...

Colega, tenho um presente p vc no meu Café!!!

espero q goste!