sexta-feira, 13 de julho de 2007

As Cores

Eu olhei praquela menina. Tentei dizer de todas as formas, explicar que o mundo não era feito somente daquelas sete cores do arco íris que conhecia. Tentei mostrar que havia outras mil, às vezes mais escuras, em outras tão claras que chegavam a cegar. Eu tentei. Mas ela não aceitou.

E continuou a ir somente do rosa para o azul. E do azul para o verde. Vivendo entre poucas cores, enquanto podia viver entre infinitas. Fiquei triste por não conseguir mostrar para ela e para o resto do mundo a minha descoberta. E eu que achava aquilo tão interessante, conhecer tantas cores, agora começava a achar banal. Por que as pessoas não me ouviam? Por que não enxergavam como eu?

Comecei a perceber que, às vezes, as cores se embaralhavam diante dos meus olhos e eu não sabia distinguir o amarelo do laranja, nem o verde claro do azul. E a cada dia, novas cores atropelavam meus sonhos, meus passeios e até do meu choro brotavam, enquanto aquela menina continuava com poucas cores para olhar, quase sem chances de se confundir. Será que seria melhor ser como ela? Sem chances de ficar na escuridão, se queimar nas cores quentes ou sentir frio nas claras?

Sinceramente, não sei. E nem nunca vou saber. Jamais vou poder ser como ela, como fui um dia, porque depois que descobrimos que existem infindáveis cores além das que nos ensinam, não conseguimos mais esquecê-las.


Postado também no blog Todas As Cores de Uma Artista, de Giovanna Vilela.

5 comentários:

tiago disse...

é muito louco o que a gente pode fazer com as cores. até um texto todo escrito em preto fica mais alegre quando a gente fala nelas. gostei.

Vinnicius Silva disse...

q kutikuti!

Flávia Brito disse...

Gabi, que texto gostoso... tem certeza de que vc é deste planeta?

Beijos!

fcantao disse...

Muito bonito. Acho que entendi o que você quis dizer. Na verdade, quanto mais nos aproximamos da realidade, ela nunca mais pode ser escondida debaixo do tapete. Por isso que é tão bom ser criança, quanto menos se sabe, menos se sofre com a crueldade da "verdade".

Gostei muito do blog. Tem certeza que tem apenas 16 anos? rs

Beijos

Diego Augusto disse...

lindo texto!
e colorido tb! ^^
adorei... como tds os teus outros...
como consegue ir taum fundo com tão poucas palavras???
bjus =***