segunda-feira, 30 de abril de 2007
domingo, 29 de abril de 2007
domingo, 22 de abril de 2007
Sou...
Sou Porto Alegre, algumas vezes. Sou Rio de Janeiro sempre. Sou avião. Sou estrada. Sou mapa. Geografia. História. Português. Sou cheiro de chuva. Pés descalços na grama. Mergulhos no fundo do mar. Sou Gramado no inverno. Chocolates. Sou mais doce que salgado. Sou pipoca no cinema. Petit gateau. Pizza Hut. Sou timidez. Sou cinema. Livraria. Teatro. CD’s. Sou MPB. Chico Buarque. Livros. DVD’s. Sou pouca televisão, muita internet. Sou perda de tempo. Sou canetas. Bichinhos. Adesivos. Glittler. Cor. Agendas. Letras. Sou Chaveiros. Pulseiras. Colares. Relógios. Sou carinho. Atenção. Abraço. Amor. Sou combinada. Chorona. Rígida. Sou sensível. Carente. Amada. Feliz. Sou 16, 10, 50 anos. Sou vida. Luz. Sou responsabilidade. Exigência. Complexidade. Sou Dorival Caymmi, Ana Carolina e Simple Plan. Sou Tomates Verdes Fritos e A Dona da História. Sou Gabriela. Sou Cravo. Sou canela. Sou insegurança. Sou leitora. Leitura. Ler. Sou Escritora. Amadora. Sou observação. Observada. Observadora. Sou crítica. Criticada. Sou justiça. Sou tristeza. Incompreensão. Personalidade. Sou sofrimento. Sou adolescente. Sonhadora. Sou Alegria. Verde, azul, rosa. Sou colorida. Sou fotografias. Montagens. Porta Retratos. Murais. Sou Músicas. Frases. Cartas. Sou demonstrações de carinho envergonhadas, “eu te amo” tímidos. Sou saudade. Sou passado. Presente. Sou futuro. Sou pensar. Pensadora. Pensante. Sou preto e branco. Sou aquilo e sou isso. Sou nada e sou tudo. Sou claro e escuro. Cheio e vazio. Alegria e tristeza. Criança e Adulto. Sou sim e sou não. Sou apenas eu.
Gabriela Vargas
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Você é um pecador?
Desde pequena me revoltava com o catolicismo e nunca soube explicar o porquê. Batizada na Igreja Católica e neta de uma senhora mui religiosa, logo segui o segundo passo do catolicismo: a catequese. Aquilo sim foi uma tortura pra mim, porque era tão livre e ingênua aos onze anos e achava horrível ficaram nos trancafiando a dogmas e nos fazendo achar que tudo era pecado.
Às vezes, acho que nasci com alma de artista. Nunca tive esses pudores quanto às coisas boas da vida, pelo menos no principio. Me lembro da única e ultima vez que me confessei, acho que estava me formando no curso da catequese. Foi horrível e inesquecível, porque naquele dia fiquei procurando meus pecados sem achar e aquele sentimento católico de culpa tomou conta de mim. Enfim, o pecado que achei foi ter falsificado a assinatura da minha mãe para uma provinha de colégio e ter mentido para ela. O padre me mandou rezar umas quantas ave marias e mais uns pai nossos e disse que depois disso eu estava perdoado por Deus.
A partir desse dia comecei a me questionar o que realmente eram os pecados e como uma pessoa tinha a capacidade de perdoar alguém por Deus. A conclusão que cheguei é que não existem pecados e sim, erros. Tenho certeza de que o meu deus entende e perdoa minha imperfeição. Desde então, tive certeza de que não era esse sentimento de culpa que eu queria pra mim. Acho hipocrisia uma pessoa dizer que Deus vai castigar alguém e o mandar para o inferno porque essa pessoa é um pecador se está escrito na Bíblia que ele ensinou a perdoar.
Quanto mais cresço mais convicção tenho da minha posição. Estudando a história podemos observar que essa mitificação do pecado se firmou lá pela Idade Média, quando a igreja queria arranjar uma maneira de controlar o povo e por isso incutiu nele a sombra da culpa. Na realidade, o grande pecado do homem é acreditar que nasceu pecador. Somos nada mais que humanos e o que é certo para uma pessoa, pode ser completamente errado pra outra. Não existem verdades absolutas. Viver e sentir todos os prazeres da vida é bom, se assim não fosse, não seria prazeroso. Portanto, não me considero uma pecadora e sim, uma pessoa que pode errar ou acertar, como qualquer outra.
Gabriela Vargas
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Um ser iluminado
Uma luz iluminou minha cabecinha de adolescente perdida e ela, incrivelmente, tem nome: Carol Teixeira, a escritora que me faz ir aos lugares da minha mente que mais tenho medo e pensar no verdadeiro sentido disso tudo. Um dia gostaria de ter todo o conhecimento que ela tem, não somente aquele que se aprende na sala de aula, mas o de vida.
Hoje lendo seu primeiro livro - “De Abismos e Vertigens” - pensei em várias situações enquanto me deliciava, muitas vezes sem compreender, por aquelas páginas cheias de verdades que fazem com que nos tornemos seres pensantes.
A vaidade foi assim comigo. E como disse Carol Teixeira: “Falo daquela vaidade cega, que nos leva a querer ser sempre o melhor, o mais bonito, o mais admirado, o mais falado, o mais inteligente, o mais competente, o mais reconhecido. Aquele diabinho que sopra no nosso ouvido e nos leva a desperdiçar a grandeza da nossa vida com coisas pequenas e competições inúteis. Essa coisa burra e tão freqüente de competir com os limites dos outros e não com os nossos próprios – o que seria muito mais fácil. (...) É esse pensamento errôneo que nos leva a esse egocentrismo e que nos incentiva a essa vaidade que nos destrói. Porque nessa auto-adoração muita coisa se perde. Nesse processo vamos ficando tão autocentrados que esquecemos das pessoas à nossa volta, esquecemos das coisas que acreditamos, esquecemos dos nossos ideais mais íntimos, dos nossos valores mais puros e começamos a lutar por uma coisa que não tem mais nada a ver com o que sonhamos no início de tudo. A pessoa olha tão longe que perde a capacidade de enxergar um palmo à sua frente. E os exemplos estão aí na nossa cara, à nossa volta, em nós mesmos. Ninguém nasce corrompido pela vaidade, as pessoas corrompem-se ao longo da vida. Vão cegando-se ao longo da vida”.
Depois de ler isso, pude perceber o quanto nós perdemos sempre comparando nosso limite ao dos outros, pois são absurdamente diferentes. Pude ver claramente que me afundei num poço por causa dessa vaidade. Fiquei cega a todo o resto e só o que me importava era ser a melhor em tudo; porém, um dia a gente acorda desse sonho – pesadelo – e vê que isso não vai nos dar nada mais em troca do que apenas frustração. Frustração por nunca atingir o inatingível. Por sermos seres imperfeitos à procura da ilusória perfeição. Tudo utopia. Eu, como uma adolescente de 16 anos, quero agora mais é viver, e não ser sufocada pela sociedade. Quero fazer minhas escolhas, independentemente da visão dos outros quanto a isso; não quero me tornar uma adulta limitada e previsível. Quero viver cada segundo. Tenho ânsia de vida, de viagens, de pessoas. E isso a vaidade nunca iria me dar, mas uma certeza ela me trouxe: depois de me sentir traída por ela, agora eu sei que não lhe necessito para ser feliz.
Gabriela Vargas
Leiam: De Abismos e Verigens - Carol Teixeira
Verdades e Mentiras - Carol Teixeira
e entrem no site
http://www.carolteixeira.com.br
terça-feira, 10 de abril de 2007
21 GRAMAS
Assistam a esse grande filme do diretor Inãrritu.
Sem mais comentários, porque senão estraga.
Gabriela Vargas
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Ela chora, ela sente, ela ama. Se revolta, se corta e me chama. Ela ri, brinca e conversa. Se diz madura e faz promessa. Ela diz que nunca mais, que acabou e dá tchau. Mas logo se arrepende e sente falta no final. Ela se machuca, se zanga e se frustra. Por que é tão fraca e não consegue? Parece que aquilo a segue, a mata, a quer. Por que nessas horas ela não se sente mais mulher? Ela quer colo, carinho, atenção. Precisa de forças pra vencer esse furacão.
Gabriela Vargas
domingo, 8 de abril de 2007
A primeira rosa

Primeira rosa - a não ser aquela que ganhei na primeira infância de um namoradinho - misto de alegria, medo e maturidade. Em questão de pouco tempo nossa vida muda, nós crescemos, alguns amadurecem, outros não.
Vejo-me há um ano atrás, com uma profunda tristeza por estar fazendo 15 anos; medo de crescer, perder minha essência, virar um adulto conseqüente, careta, acomodado e sem-graça. Finalmente, veio a hora em que tive de escolher qual dos caminhos iria trilhar, aquele que havia escolhido antes, e que se contradizia totalmente: igual a todos, mais um qualquer, ter os mesmos gostos, não assumir meu verdadeiro eu; ou, ser simplesmente a Gabriela Vargas, com todos os defeitos e qualidades. Como sempre, tive de perder e sofrer para entender que a melhor opção era a segunda. Esses últimos tempos têm sido de profunda aprendizagem; a cada dia que passa, assumo mais uma parte de mim, permitindo-me ser contraditória, intensa, imperfeita, humana. Resolvi deixar fluir a vida. Como boa sagitariana, sou um poço de inquietude, preciso sempre sentir que estou viva, viajar, conhecer, ler, e é isso que tenho feito: o que me deixa feliz.
Incrivelmente, estou adorando essa nova fase: menina-mulher. E assim tem sido desde que percebi que sou livre para ser criança, pular na cama elástica nas festinhas infantis, brincar de dança da cadeira, mascar chiclete que deixe a língua azul, mas eu também posso ser adulta, fazer novas descobertas, ter sonhos, não importam quais, mas sempre tê-los, ir a festas, namorar, beijar, tomar o primeiro porre, assumir meu corpo não mais de garotinha, minhas formas de mulher e não achar que isso é ruim, porque não é. É lindo amadurecer. Ainda amo o Peter Pan e a Terra do Nunca, mas já não quero passar lá o resto dos meus dias, porque assim, não estaria fazendo o que mais tenho necessidade: viver.
Essa rosa foi mais uma evidência dessa fase inesquecível pela qual estou passando. Nesses últimos tempos conheci pessoas realmente maravilhosas que hoje, de uma forma ou de outra, fazem parte da minha vida, e me ensinaram algo bom. Algumas são meus exemplos, não para seguir, mas para inspirar a felicidade imediata e a certeza de um presente - aqui, agora, já - bom. Médicos, nutricionistas, psicólogas, escritoras, arquitetas entre tantos outros e claro, minha tia e toda a minha família. Porque o mundo pode ser louco e algumas pessoas mais insanas ainda. Porém, apesar disso, existe alguma certeza e paz e eu encontrei!
Gabriela Vargas
Foto(s): Carlinhos Rodrigues/ZH